fim

É do fim que se começa. Então, viajante, saímos agora do fim. Da pedra. Da vida de pedra. Estamos renascendo agora neste diário novo. Você e eu, viajante. E se estamos começando esta viagem agora, lembre-se: é importante manter-se vivo. Mesmo que como uma pedra. Vamos, pegue suas coisas.

22 maio 2007

vôo

- Voe!


Assim me despedi do meu pai quando entrou na sala de cirurgia hoje. E descobrir que ele podia voar me fez conhecer outra pessoa e entender o quão de Fernão somos.


Maridéa Capelo Gaivota. Tão presa em si e sonhando tão longe. Minha madrinha que morreu em seu terceiro câncer queria tanto voar. Tanto, tanto!


Na sua casa, em sua cama, em seus livros....penso agora....quantos vôos criou em seu sorriso de bondade e iluminação... Minha madrinha voava por nós aqui....voava em nós mas não conseguiu voar sozinha.


- Voe, Gigante!


Aquela foto.....aquela foto.....que minha madrinha dedéa deixou....mostrava meu pai voando adolescente em dunas de areia....Murilo voando....meu pai voando....meu pai voando!


E quanta surpresa em ver seu vôo. Que tinha asas tão grandes que nunca imaginei que tivesse...que, agora sim, tudo fazia sentido: quando olhava para o céu e via um pássaro e queria sair numa grande jornada. Como Kino.


Meu pai voando! No mais alto dos céus....eu posso voar!