Teu sorriso me doi em cada dente.
Cadente.
hoje te vi com quinze anos
e vi o brilho abissal de seus olhos
que me leva aos meus quinze anos
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viajante
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12:03
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posso dizer que sempre fui uma ilha
de culpa
cercada de mágoas por todos os lados.
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viajante
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02:02
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Já cantei meus Greatest Hits
E escrevi meu Best Seller.
Já voei por cima do Himalaia
E escalei Quéops.
Rodei no circuito de Jerez
E puxei o manche do Mig 21.
Li todas as mensagens da Voyager
E maltratei a grama do Maracanã.
Hora de começar outra lista.
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viajante
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13:53
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e quando "ilha das flores" é almoço
e quando já estou morto em um hospital
e quando eu durmo em ambições cotidianas
é quando estou tranquilo
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viajante
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20:35
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estou falando de vc recebi stella carson branca sempre aprendemos que as cores das rosas são as cores de nossos olhos. estou falando de mim
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viajante
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15:52
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nas aléas onde jazem as felicidades
as lembranças....
numa voz translúcida,
choro mil palavras por nós.
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viajante
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17:31
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meu pai morreu hoje
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viajante
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20:23
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em foi num dedo de balsamo
que gritei de dor
e foi num colo de ossos
que me senti seguro
e foi num olho agredido
que enxerguei tudo
e que preciso,
agora,
ser, finalmente,
eu.
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viajante
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23:54
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Ahhhhhhhhhhhhhh!
Todas as tentativas eu fiz
para cessar essa infeccao!
Mas meu amor putrido
transborda em poros
em qualquer espelho
me envergonho do
cadaver
e nos voos de gaivota
retratados, incolumes
penso num dia que possa
ser condor em penhascos livres
de promessas
de duvidas
de desejos
impossiveis e etilicos "per se"
deitado,
agarro a mao mais
proxima
e de maos atadas
distorcidas pela forca
durmo
rasgando cada musculo
e toda sobra de
desejo
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viajante
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21:57
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nas lutas de crianças,
no reflexo do ator,
nas milhares de bicicletas,
no caminho do antigo emprego:
andei por sua mente
e fui consigo.
sem conseguir sua alma,
comigo.
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viajante
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19:31
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avanço em dor
e compasso
para o meio do peito
e no pouco caminho
vejo o rochedo
que envolve a respiração
se forço o querer
e divirjo da luz
engano a razão
ajoelho o espírito
e embaixo reparo:
já sou chão
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viajante
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23:37
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demiti meu pai
e na despedida o julguei
pelo tempo em que fui seu pai
demiti o sol
e o eclipse me cega
em cada vez que abro os olhos
demiti meu amor
mas o globo me engole por ser cobrado
diariamente por ele
demiti os sonhos
e não consigo arrumar mais nada
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viajante
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21:45
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15,5 dia de fevereiro,
o mesmo.
o início de tudo,
a distância de tudo,
o tudo desmoronado:
lixo de tudo.
em meus passos espectrais
respiro meu pesadelo,
cego minha doença,
fixo meus sinais no céu,
cheiro meus flagelos,
até o mesmo
15,5 dia de fevereiro,
quando comemoro o não,
o nada.
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viajante
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22:43
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sem surpresas
todo dia é novo
sem saudades
todo dia é velho
sem eu
todo dia é você
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viajante
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00:22
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em pólos
ando em algo parecido com vida
entre eles
viver é desconhecido.
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viajante
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09:06
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fé
é só do que preciso.
uma fé sábia,
uma f'é prudente
uma que me dê todas as cores.
que não me deixe sozinho
quando fechar os olhos.
e no todo
escuro
me lembrar
em arpejos
que quis ter fé.
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viajante
em
22:01
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