fim

É do fim que se começa. Então, viajante, saímos agora do fim. Da pedra. Da vida de pedra. Estamos renascendo agora neste diário novo. Você e eu, viajante. E se estamos começando esta viagem agora, lembre-se: é importante manter-se vivo. Mesmo que como uma pedra. Vamos, pegue suas coisas.

26 abril 2007

sylvia plath

sylvia plath nunca andou na pavuna
sylvia plath nao lavou louça
sylvia plath nao pegou onibus lotado
sylvia plath gostava de depressão
sylvia plath se matou
sylvia plath nunca viveu
de verdade

02 abril 2007

auto-estima?

auto-confiança é tudo. o que pode também ser considerado ignorância. mas a ignorância é uma benção. então carregamos o fardo do conhecimento (maçã?) e a angústia desesperada e desesperadora de não sabermos nada. então somos abençoados! não sou Bento. mas na minha ego-escuridão consigo iluminar pessoas e me deliciar com sua ignorância. e como é bom e vivo tudo isso!

hospitais diários

a cama é a mesma
a doença, não
o vivente é outro

agora os banhos são meus
as vistas diferentes
no hospital

redenção de sentidos
na incolor, inodora, invisível casa

sou tão pequeno?
sempre?

22 março 2007

datas

datas são limitações.
feliz dia de ação de graças!
feliz aniversário!
feliz dia da poesia!
mas não precisamos de limites?

05 março 2007

sombras

lua à frente
sol no dorso
entre nós
minha sombra

preciso de luz,
dar beijos lunares
mas esta sombra....

a sombra é minha.

01 março 2007

funeral

somos lápides vivas, nomes
homenagens póstumas de cada segundo futuro
saudades eternas de sonhos que desconhecemos

aqui jaz
você

27 fevereiro 2007

nomes

nomes não são importantes. Jorge Luis Borges já dizia isso. Franz Bonaparta em "Monster" também falava sobre o menino que não tinha nome.

Não vejo crachás em ninguém e tampouco vejo nomes. Tento ver almas, seus símbolos, o que representam, o que refletem ao mundo.

Mas é difícil encontrar olhos indefesos. É uma caçada que vale a pena.

11 junho 2006

pedidos de mim

Pediram poesias e não dei. Elas não são minhas e nem minhas são suas esperanças. Não sou poeta e não sou fingidor. Não sou Pessoa.

Se pego o ônibus e olho pela janela dos olhos dos passageiros que não sentam do meu lado (distância é uma dádiva muitas vezes), a poesia salta! Ou me acompanha na viagem.

Espero ônibus e passageiros. Espero olhos. Mas sou impaciente.