quantas vezes eu morri
e quantas vezes eu pensei que tinha nascido...
que pensamento bobo de fantasma!
fim
28 maio 2007
morte
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viajante
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20:14
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22 maio 2007
vôo
- Voe!
Assim me despedi do meu pai quando entrou na sala de cirurgia hoje. E descobrir que ele podia voar me fez conhecer outra pessoa e entender o quão de Fernão somos.
Maridéa Capelo Gaivota. Tão presa em si e sonhando tão longe. Minha madrinha que morreu em seu terceiro câncer queria tanto voar. Tanto, tanto!
Na sua casa, em sua cama, em seus livros....penso agora....quantos vôos criou em seu sorriso de bondade e iluminação... Minha madrinha voava por nós aqui....voava em nós mas não conseguiu voar sozinha.
- Voe, Gigante!
Aquela foto.....aquela foto.....que minha madrinha dedéa deixou....mostrava meu pai voando adolescente em dunas de areia....Murilo voando....meu pai voando....meu pai voando!
E quanta surpresa em ver seu vôo. Que tinha asas tão grandes que nunca imaginei que tivesse...que, agora sim, tudo fazia sentido: quando olhava para o céu e via um pássaro e queria sair numa grande jornada. Como Kino.
Meu pai voando! No mais alto dos céus....eu posso voar!
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viajante
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21:23
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guia
para ser de todos não sou de mim
se querem caminhos perfeitos
não posso criá-los
todos caminhos são tortos!
basta olhar para trás.
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viajante
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21:22
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olhos
em seus ojos de Chascona
vi alguém
que não sou
em nosso barco de virtude
rebentou-se um amor
que não temos a mais
não vejo barcos nem mar
não vejo seus olhos!
sigo no escuro, minha vela constante
ou fecho-me num relâmpago de ser
luz de segundo
você infinita.
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viajante
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21:21
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reversi
jogo de nada
cores de fala
tempo de ser
beijo de silêncio
mundo de dois
mundo de dois
mundo de dois
arrume o tabuleiro
próxima rodada
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21:18
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17 maio 2007
simples
amar o complexo
se o simples é ninguém mais
amar o horizonte
quando os olhos pouco enxergam por dentro
complexo como amar o perto
simples como amar o longe
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02:12
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26 abril 2007
sylvia plath
sylvia plath nunca andou na pavuna
sylvia plath nao lavou louça
sylvia plath nao pegou onibus lotado
sylvia plath gostava de depressão
sylvia plath se matou
sylvia plath nunca viveu
de verdade
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viajante
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19:29
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02 abril 2007
auto-estima?
auto-confiança é tudo. o que pode também ser considerado ignorância. mas a ignorância é uma benção. então carregamos o fardo do conhecimento (maçã?) e a angústia desesperada e desesperadora de não sabermos nada. então somos abençoados! não sou Bento. mas na minha ego-escuridão consigo iluminar pessoas e me deliciar com sua ignorância. e como é bom e vivo tudo isso!
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viajante
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17:42
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hospitais diários
a cama é a mesma
a doença, não
o vivente é outro
agora os banhos são meus
as vistas diferentes
no hospital
redenção de sentidos
na incolor, inodora, invisível casa
sou tão pequeno?
sempre?
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viajante
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12:10
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22 março 2007
datas
datas são limitações.
feliz dia de ação de graças!
feliz aniversário!
feliz dia da poesia!
mas não precisamos de limites?
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12:48
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05 março 2007
sombras
lua à frente
sol no dorso
entre nós
minha sombra
preciso de luz,
dar beijos lunares
mas esta sombra....
a sombra é minha.
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07:46
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01 março 2007
funeral
somos lápides vivas, nomes
homenagens póstumas de cada segundo futuro
saudades eternas de sonhos que desconhecemos
aqui jaz
você
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viajante
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14:00
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27 fevereiro 2007
nomes
nomes não são importantes. Jorge Luis Borges já dizia isso. Franz Bonaparta em "Monster" também falava sobre o menino que não tinha nome.
Não vejo crachás em ninguém e tampouco vejo nomes. Tento ver almas, seus símbolos, o que representam, o que refletem ao mundo.
Mas é difícil encontrar olhos indefesos. É uma caçada que vale a pena.
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viajante
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21:48
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11 junho 2006
pedidos de mim
Pediram poesias e não dei. Elas não são minhas e nem minhas são suas esperanças. Não sou poeta e não sou fingidor. Não sou Pessoa.
Se pego o ônibus e olho pela janela dos olhos dos passageiros que não sentam do meu lado (distância é uma dádiva muitas vezes), a poesia salta! Ou me acompanha na viagem.
Espero ônibus e passageiros. Espero olhos. Mas sou impaciente.
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viajante
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16:27
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