fim

É do fim que se começa. Então, viajante, saímos agora do fim. Da pedra. Da vida de pedra. Estamos renascendo agora neste diário novo. Você e eu, viajante. E se estamos começando esta viagem agora, lembre-se: é importante manter-se vivo. Mesmo que como uma pedra. Vamos, pegue suas coisas.

30 novembro 2008

fantasia

cada amor caro
e seu custo caro

match point

16 novembro 2008

head

suas vozes
em cada tom de ferida
desta parede nua
ecoam dor farpada

minha fuga inimiga
única entre nenhuma
onde desço sem nome
e encontro o lugar de sempre

queimo ao último choro
removo toda matéria
abro os olhos e inexisto
na mesma cara borrada

outras paredes desintegro
outra vez des-íntegro

05 novembro 2008

conhecimento

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03 novembro 2008

dúvida

neste colo,
solto peito,
inseguro

silencio...vontades

jogo na chuva meus cabelos e vida

enquanto seco meus sonhos e olhos

27 outubro 2008

aa

hoje não amo mais
essa dependência de amar...

só por hoje.

19 setembro 2008

gole

abstido de sentimentos:
absinto.

05 setembro 2008

rocha

com todos os poros fechados
minha respiração presa de medo
com as linhas da face apertadas
meu encanto de horizonte nublado

sem idéias de quereres
minha embriaguez de angústias
sem teimosia de olhar
meu ajoelhar entre céticas realidades

talvez palavras lentas de ser
minha brava paralisia em sentir
talvez corpo trêmulo de saudades
meu rumo torpe de encontrar

seguro sua mão indiferente
penduro todas as minhas virtudes
e espero,
tolo,
mais histórias de você

24 abril 2008

assim

muda de
sorrisos
neste lago
de sons e cheiros
reflexo de saudade

pulso de
liberdade
neste lugar
de alma opaca
brilho de supernova

limite de
extremos
neste peito
de balanço fraco
paralisia de vida

28 fevereiro 2008

4:44 pm

mesmo caminho
todos segundos
seu nome
presente lembrança

naquele filme
reprise sentida
amores diários
futuros sonhados

mesmo caminho
presente lembrança
reprise sentida
futuros passados.

28 janeiro 2008

4:44 am

num
alvorecer de bocas

quero sua carne
faminto

e à primeira luz
não me sentir
podre

não mais.

07 janeiro 2008

tempo

sonho não era
.
vivi tal
utopia
daquelas horas
!
voltei
no tempo
e
quis
mudar
coisas!

ânsia
de
ser
arauto
do porvir
,
consertá-lo
de alguma
maneira
...
qualquer jeito

que
não
me
fizesse
acordar
de
novo

fecho
olhos
e
volto
ao real
:
assim
,
fechado

24 dezembro 2007

natal

filme em
branco e cor
brilho em
bola e dor
agua nos olhos
e boca.

natal. enfim.
natal.

papai

me paralisei no tempo
para guardar
o natal das crianças
meu oásis no meu
deserto adulto
feliz natal,
vocês!

07 novembro 2007

casamento

Não é que
esta relação no
ataúde
esteja velada por
dois

Mas
nestes novos,
primitivos acordos
o melhor que
pude
não tem de mim a
essência

Talvez seja assim
nos egoístas horizontes
dos quais nunca
mude
sempre leve e íntegro
enamorado
por mim.

09 outubro 2007

503

madrugada
após o som
da campainha
almas
encaixe perfeito

ali
no que parecia sonho
no que parecia vida
minha entrega ao amanhecer

sem saber se acordei de tudo isto

04 setembro 2007

rafael

eu amo você.
e como é bom falar isso.

08 agosto 2007

ana 32

na casa ou no apartamento
imagens de intenções
textos de traduções

em trinta e duas anas... onde está você?

ainda não tem visto nesta terra estranha?

mas todos estamos refugiados!

bem-vinda.

novamente

e como, como devemos esperar tudo, tudo da vida!

maresia

a forma
tipo de proa
apontando para um horizonte íntimo

meu tato
desce
por aquele tombadilho rangido e úmido

tremia em todo
e em um
prazer quente

na vela repleta
da nave desejo
distanciando-se comigo de qualquer
carência de vida

31 julho 2007

bergman

"a solidão é absoluta"

pena. perfeito.