fim

É do fim que se começa. Então, viajante, saímos agora do fim. Da pedra. Da vida de pedra. Estamos renascendo agora neste diário novo. Você e eu, viajante. E se estamos começando esta viagem agora, lembre-se: é importante manter-se vivo. Mesmo que como uma pedra. Vamos, pegue suas coisas.

18 abril 2009

wonderland

nas lutas de crianças,
no reflexo do ator,
nas milhares de bicicletas,
no caminho do antigo emprego:

andei por sua mente
e fui consigo.
sem conseguir sua alma,
comigo.

22 março 2009

pedaços

avanço em dor
e compasso
para o meio do peito

e no pouco caminho
vejo o rochedo
que envolve a respiração

se forço o querer
e divirjo da luz
engano a razão

ajoelho o espírito
e embaixo reparo:
já sou chão

14 março 2009

contratos

demiti meu pai
e na despedida o julguei
pelo tempo em que fui seu pai

demiti o sol
e o eclipse me cega
em cada vez que abro os olhos

demiti meu amor
mas o globo me engole por ser cobrado
diariamente por ele

demiti os sonhos
e não consigo arrumar mais nada

13 fevereiro 2009

miles

15,5 dia de fevereiro,
o mesmo.

o início de tudo,
a distância de tudo,
o tudo desmoronado:
lixo de tudo.

em meus passos espectrais
respiro meu pesadelo,
cego minha doença,
fixo meus sinais no céu,
cheiro meus flagelos,
até o mesmo
15,5 dia de fevereiro,
quando comemoro o não,
o nada.

11 fevereiro 2009

passo

sem surpresas
todo dia é novo

sem saudades
todo dia é velho

sem eu
todo dia é você

04 fevereiro 2009

sobrevida

em pólos
ando em algo parecido com vida
entre eles
viver é desconhecido.

25 janeiro 2009

notas


é só do que preciso.

uma fé sábia,
uma f'é prudente
uma que me dê todas as cores.


que não me deixe sozinho
quando fechar os olhos.

e no todo
escuro
me lembrar
em arpejos
que quis ter fé.

15 janeiro 2009

grito

surdo
só escuto
o apelo vingador
interno

surdos

dor

quantas vidas
a vida me levará
até descobrir a minha?

acabado

se de consciência padeço
e da dor física esqueço
não do mais amor puro agradeço
de você, dependente, despeço

17 dezembro 2008

terceiro

hapy, happy, happpy
cada ano meu
em olhos maduros
que tento lembrar
meu tempo lento

hoje s~ao tr^es
e gigante maior sou eu
em tr^es anos de vida

30 novembro 2008

fantasia

cada amor caro
e seu custo caro

match point

16 novembro 2008

head

suas vozes
em cada tom de ferida
desta parede nua
ecoam dor farpada

minha fuga inimiga
única entre nenhuma
onde desço sem nome
e encontro o lugar de sempre

queimo ao último choro
removo toda matéria
abro os olhos e inexisto
na mesma cara borrada

outras paredes desintegro
outra vez des-íntegro

05 novembro 2008

conhecimento

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03 novembro 2008

dúvida

neste colo,
solto peito,
inseguro

silencio...vontades

jogo na chuva meus cabelos e vida

enquanto seco meus sonhos e olhos

27 outubro 2008

aa

hoje não amo mais
essa dependência de amar...

só por hoje.

19 setembro 2008

gole

abstido de sentimentos:
absinto.

05 setembro 2008

rocha

com todos os poros fechados
minha respiração presa de medo
com as linhas da face apertadas
meu encanto de horizonte nublado

sem idéias de quereres
minha embriaguez de angústias
sem teimosia de olhar
meu ajoelhar entre céticas realidades

talvez palavras lentas de ser
minha brava paralisia em sentir
talvez corpo trêmulo de saudades
meu rumo torpe de encontrar

seguro sua mão indiferente
penduro todas as minhas virtudes
e espero,
tolo,
mais histórias de você

24 abril 2008

assim

muda de
sorrisos
neste lago
de sons e cheiros
reflexo de saudade

pulso de
liberdade
neste lugar
de alma opaca
brilho de supernova

limite de
extremos
neste peito
de balanço fraco
paralisia de vida

28 fevereiro 2008

4:44 pm

mesmo caminho
todos segundos
seu nome
presente lembrança

naquele filme
reprise sentida
amores diários
futuros sonhados

mesmo caminho
presente lembrança
reprise sentida
futuros passados.